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52 anos.


Aos cinquenta anos e dois de idade, me sinto é vereda e segredo, num simultâneo. 
Caminho compridido de passos e tombos, de poeira e claridade; trago no corpo o sinal das pedras como quem carrega alforje — que o peso dele é o que o coração esquenta.
Sei, por saber de mui uso, que o que deixo é semente e palavra, um legado de não se medir em troféus, mas em raízes que vingam no rastro onde pisei. Aprendo todo dia, miudinho e bruto, com o vento que ensina a espereza e com a noite que me puxa pela manga, guias de mim. E os sonhos continuam, em sufoços de verdade, dizendo que há um só sopro por trás do mundo e que atravessar é o que carece para se reconhecer a cara do mistério. 
Assim sigo no rosto do sertão, inteiro de lembranças e de promessa, perquerindo ao chão e ao céu: que vereda ainda me chama?"

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